Você já não permeia mais os meus sonhos e nem está duramente presente nos meus pensamentos desassossegados de sábado à tarde.
A sua casa já não é mais a casa em que eu quero criar os meninos. Você não tem mais a cara daquela felicidade cuidadosamente desenhada e desejada por mim tempos atrás.
O seu olhar já não me enche o peito de graça. As suas palavras já não percorrem o meu ouvido durante madrugadas chuvosas.
Hoje eu escolho os meus CDs e livros sozinha, sem me preocupar se você vai gostar, se vai perder ou se vai emprestar pro seu chefe.
O desamor me abraçou e dorme comigo num sono pesado todo santo dia.
Eu já não me desespero pensando que tá tarde e que você tá por aí, dirigindo feito um louco, maldizendo a cidade, o caos do trânsito e os motoboys.
O desamor abriu a porta pra mim depois de tanto tempo me batendo na cara e me sufocando o riso.
O desamor me tirou a certeza de dias melhores ao seu lado numa casa bonita com cerca branca e jardim colorido.
Você já não faz parte do meu cotidiano e - quem diria! - eu ainda respiro. Eu respiro, e o ar nada tem a ver com você.
Eu tô certa de que fiz a escolha certa ao te deixa e eu sei que amanhã eu não vou lembrar de você, eu não vou abraçar meu travesseiro chorando a falta que você me faz.
Eu confio que a minha felicidade virá numa caixinha azul bebê bem linda estilo tiffany’s, e pouco importa se vai demorar. Eu tô aprendendo a esperar.
Já não sei a causa da angústia e do vazio que sentirei nos próximos dias, mas sei que a dor de cabeça será só uma dor de cabeça. O cansaço, só cansaço. A falta de vontade de sair será por pura preguiça. Eu vou ficar bodiada porque o filme é ruim e o papo tá chato, você não terá nenhuma relação com as minhas futuras frustrações.
Eu sei que sem você não é fácil escrever coisas como essa, mas ainda assim eu tento. Hoje eu sinto que a minha vida é uma página do Word em branco, pronta pra receber as mais lindas estórias.
Eu sei que sem você não é tão interessante planejar como vou gastar as minhas tardes de domingo, mas graças a Deus eu parei com essa mania besta de encostar a cabeça em uma poltrona qualquer pra ficar lembrando de um passado não tão distante, lamentando tudo o que foi e o que poderia ter sido. Sem você eu não sei o que é sofrer, e isso é profundamente libertador. Eu voltei a pintar as unhas de vermelho – coisa que te irritava – e isso também é libertador.
É preciso coragem para desamar.
O nosso amor acabou e levou com ele qualquer chance de voltar, mesmo que seja com roupas novas, porque eu sei que não existe a desculpa de que nos encontramos em momentos errados. Eu tava pronta e você também. Não deu certo. Ponto final.
ALTA FIDELIDADE - NICK HORNBY
“Em ordem cronológica, minhas separações mais memoráveis, as favoritas, as cinco que eu levaria para uma ilha deserta:
1. Alisson Ashworth
2. Penny HARDWICK
3. Jackie Allen
4. Charlie Nicholson
5. Sarah Kenchew
Essas foram as que doeram de verdade. Está vendo o seu nome nesta lista, Laura? Acho até que você conseguiria entrar sorrateiramente, nas dez mais, mas não há lugar para você nas cinco; esses lugares estão reservados para aquele tipo de humilhação e sofrimento que você simplesmente não é capaz de provocar. Provavelmente isto está soando mais cruel do que deveria, mas o fato é que já passamos da idade de magoar um ao outro, e isso é uma coisa boa, não é ruim, de modo que não leve para o lado pessoal o fato de você não ter entrado na lista. Aqueles tempos se foram, boa viagem e fodam-se eles; a infelicidade realmente significava algo naquela época. Agora é só um saco, como ficar resfriado ou não ter dinheiro. Se você realmente queria me sacanear, deveria ter me conhecido antes.”
porque, né?, what doesn’t kill you makes you stronger. amém.
Eu acho bem importante isso de ter discernimento crítico, sabe. Você se livra, sei lá, de usar óculos espelhado, de acreditar que o Lula não sabia do Mensalão, de repetir tudo o que o Diogo Mainardi fala como se fosse verdade universal, e por aí vai.
Acontece que a gente não pode esquecer que ninguém pensa melhor que os outros. Se o seu passatempo favorito é abrir a boca pra apontar os defeitos dos outros, então eu sinto pena de você.
Sabe essa mania besta de fazer resenha crítica de tudo o que gira ao seu redor? Então. Isso é chato e você tá pagando mico. Você só tá falando abobrinha e você tá constrangendo todo mundo.
Eu não quero saber o que você achou do novo CD daquela banda francesa incrível e super moderninha. A pegada dos caras mudou? Eles estão comerciais demais pro seu gosto? E daí? Eu gostei e eu vou continuar ouvindo, benzinho.
Deixe que a menina chata do colégio seja feliz com o silicone que ela colocou, sabe. E se as fotos dela estão te irritando, então pare de segui-la no Instagram. Simples assim.
E daí que aquele carinha só sabe sair de casa usando blazer estilo velhinho que joga dominó na praça? Estamos em 2012 e você ainda usa lenço palestino, compreende? E aí? Quem é o errado?
Sente à mesa do bar, tome uma cerveja comigo, pare de mexer no celular enquanto eu falo e, por favor, não fale mal da festa de casamento daquela menina que fez inglês com a gente. O vestido dela era horroroso? Nem parece que ela tem tanto dinheiro? Você acha que o marido dela é gay? Quem se importa? Eu não te vejo faz muito tempo e eu quero saber de você. EU ME IMPORTO COM O QUE ACONTECE COM VOCÊ.
Você é descolado, tem um emprego incrível, conhece o mundo e tá terminando o mestrado, mas você não tá acima do bem e do mal. Neruda é quem tava certo: a verdade é que não há verdade.
Do mesmo jeito que você acha que tá abafando existe uma outra pessoa, tão ou mais interessante, bem pertinho de você e rindo muito da sua cara. Na opinião dela, você é o cafona e o esquisito. Pense nisso antes de abrir a boca pra criticar alguém.
O mundo é punk e, mais do que nunca, as pessoas se dão o direito de falar. Mal. DE QUALQUER COISA. A QUALQUER CUSTO. FALAR MAL POR FALAR MAL. CRITICAR IRRESPONSAVELMENTE. FALAR MAL SEM TER CONHECIMENTO DE CAUSA.
Todo mundo é corajoso e formador de opinião, principalmente quando se está com o notebook no colo ou com o iphone na mão. É a liberdade de expressão em sua versão mais moderna, medíocre, capenga e, principalmente, vazia. Eu prefiro falar da tekpix.
“Agora sabia mesmo o que era a dor. Dor não era apanhar de desmaiar. Não era cortar o pé com caco de vidro e levar pontos na farmácia. Dor era aquilo, que doía o coração todinho, que a gente tinha que morrer com ela, sem poder contar para ninguém o segredo. Dor que dava desânimo nos braços, na cabeça, até na vontade de virar a cabeça no travesseiro.”

Meu pé de laranja de lima - José Mauro de Vasconcelos
sim
há coisas piores que
estar só
mas nos custa décadas
até que percebamos
e geralmente
quando conseguimos
é tarde demais
e não há nada pior
que
ser tarde demais
oh yes
there are worse things than
being alone
but it often takes decades
to realize this
and most often
when you do
it’s too late
and there’s nothing worse
than
too late.
Traduções: Fabiano Calixto